sábado, 5 de novembro de 2011

* Examine a consciência

Ajustamento (A Justiça) e O Éon (O Julgamento) ~ Crowley-Harris Thoth Tarot ~ Fonte: Albideuter.de

Dentre todas as minhas experiências com a espiritualidade que vão para além da pura teoria, tive a oportunidade de conhecer a Doutrina do Santo Daime. Basicamente, um chá alcaloide xamânico (Ayahuasca) é servido durante um rito de concentração e, enquanto a percepção é aberta e acelerada, hinos são tocados com violão e maracá, acompanhados do canto dos participantes, para que se trabalhe uma linha de pensamento focada no processo de transformação pessoal.

Num misto de cultura da floresta, pinceladas afro-umbandistas e simbolismo cristão-católico, com a percepção voltada para o astral, os hinos tomam uma forma belíssima de som, cujo ponto importante de conscientização do indivíduo está justamente na letra, explicitamente, daquilo que é cantado. A porta, que leva das trevas da ignorância à luz da razão (Deus Pai - Deusa Mãe), proporciona precisamente o acesso da mensagem versus a auto-análise, com o objetivo óbvio de que a pessoa pense, avalie a si mesma e mude sua atitude perante a vida.

Participei poucas vezes, creio que foram somente cinco ao longo de cinco anos. Mas minha perspectiva pessoal se alterou muito após o processo e posso dizer que sim, aprendi, procurei melhorar a mim mesmo e entendi passos do meu caminho espiritual. Foi como um processo de iniciação onde, tudo o que houve antes foi apenas teoria e ali eu pude ver, indubitavelmente, a existência sólida e presente de um mundo "astral" ou "espiritual".

Auto-análise. Este tema tem estado presente em minha vida durante alguns anos. Busquei formação em terapia floral de Bach, autoconhecimento com o tarô, cabala hermética, transformação interior e espiritualidade independente para ter um pacote completo e poder realizar minhas próprias análises com sucesso. Não basta apenas dar-me conta dos meus erros ou pré-disposições em errar. Mas transformar as atitudes.

Bela e ricamente vejo estampadas nas lâminas do tarô de Thoth (Crowley-Harris), especialmente no Ajustamento e O Éon, a culminação pictórica deste processo interior. No Ajustamento, percebo a tentativa de alinhamento, busca de equilíbrio e exatidão, configuradas na imagem feminina de Maat, vendada, para que o indivíduo seja convidado a passar por cima de sua própria vaidade e enxergue em si mesmo aquilo que está em desalinho.

Por outro lado, o Éon mostra a continuidade do processo. Uma vez alinhado, tendo aprendido a escolher lá atrás, em Os Amantes, o indivíduo é convidado a perceber com responsabilidade suas atitudes. Ação e reação, claramente expostas. Responsabilidade sobre aquilo que expressa, a forma como age, as palavras que fala e a consequência de suas escolhas. O dedo de Khonsu, aqui, evoca o silêncio e também contemplação.

Juntas, seriam um pare, analise, observe a si mesmo e reflita sobre as atitudes que toma. Seja fiel à balança. Ao equilíbrio. Aos seus acordos. E aqui, apresento um dos hinos do Santo Daime, que cabe perfeitamente neste contexto. "Examine sua consciência", parte da "Oração do Padrinho Sebastião", é o hino introdutório do hinário que serve-se como a apresentação da mensagem doutrinária àqueles que querem conhecer a doutrina em si.

Examine a consciência


"Examine sua consciência" ~ Oração do Padrinho Sebastião ~ Fonte: Santodaime.Org

Examine a consciência
Examine direitinho
Sou Pai e não sou filho
Mas eu não faço assim

Chamo de um a um
A todos eu mostro o caminho
Fazendo como eu mando
Tudo fica bem facinho

Todos podem se lembrar
Do tempo de Noé
A doutrina do meu Pai
Eu ensino como é

Vamos meus irmãos
Vamos todos se humilhar
Pedir nosso perdão
Para o nosso Pai nos perdoar

Quem quiser que se aguente
Não tem a quem se queixar
Eu bem que avisei
Que havia de chegar

Encontrado em: Santodaime.org

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3 comentários:

Odir Fontoura disse...

Examinar a consciência é um trabalho árdo que exige honestidade, antes de mais nada. Muitas vezes, não são poucos os que se prontificam a esse tipo de exercício, mas observam nada mais que superficialidades e características genéricas da própria personalidade. Particularmente, acho isso uma afronta.

A auto-examinação da alma é algo que precisa, além de honestidade, coragem. Pois é impossível que, nesse processo, deixemos de travar contato com as sombras, a personalidade Dionisíaca, o Louco, o Diabo, e tantos outros aspectos arquetípicos.

É perigoso, mas recompensador.

Boa reflexão! Abraços!

AugustoCrowley disse...

é um mergulho de olhos vendados, realmente como você disse, pra não deixar a vaidade se manifestar.
É como jogar tarot pra si na terceira pessoa!Abs!

André Kadanr - Tarologia Sistêmica disse...

Meu amigo, o tempo passa e ainda, ainda hoje não sai o nó na garganta e a lágrima nos olhos, eternas saudades de você Amigo Cometa